domingo, 30 de setembro de 2007

Cientistas atribuem morte de abelhas nos EUA a vírus

WASHINGTON - Detetives científicos têm um novo suspeito na norte de bilhões de abelhas melíferas nos Estados Unidos: um vírus até então desconhecido no país.

Pesquisadores informam ter utilizado uma nova técnica genética e análises estatísticas para identificar o vírus israelense da paralisia aguda como o mais recente culpado potencial na morte generalizada de abelhas operárias, fenômeno batizado de distúrbio de colapso da colônia.

O próximo passo é tentar infectar abelhas deliberadamente com o vírus, para ver se ele realmente causa a morte.


"Pelo menos, agora temos uma pista para seguir. Podemos usar isso como um marcador, usá-lo para investigar se, de fato, causa a doença", disse um dos autores do trabalho, o epidemiologista W. Ian Lipkin, da Universidade Columbia. Detalhes do trabalho aparecem na edição online da revista Science, Science Express.

Especialistas reforçam que parasitas, pesticidas e má nutrição continuam na lista de suspeitos, bem como o estresse de viagem: apicultores dos EUA deslocam as abelhas pelo país, para que polinizem as lavouras que florescem em cada estação.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

O sumiço das abelhas

Rui Nogueira

Nas plantas alógamas o pólen de uma flor vai ao estigma, porção terminal do órgão feminino da planta destinada a recolhê-lo e sobre o qual ele germina, levado por insetos.

Nesta tarefa, as abelhas são muito ativas e mais de 60% da fecundação pela polinização tem a interferência delas.

Isto é tão importante que, no USA, os apicultores têm uma renda apreciável pelo aluguel de suas colônias itinerantes na época das florações (amêndoas, cítricos, mostarda).

Surgiu, agora, uma denúncia da Associação de Apicultura Americana, que revela um problema com gravidade nunca vista no mundo.

As abelhas estão desaparecendo: abandonam as colméias deixando para trás até a rainha, mas não se acha vestígio do que lhes pode ter sido mortal.

O problema atinge 30 dos estados ianques, segundo o presidente da Federação de Apicultores dos Estados Unidos, Walter Haefeber. Na Alemanha, a revista Der Spiegel diz que o mesmo acontece por lá, mas faz o jogo do monopólio dos meios de comunicação, falando da “crise ecológica”, e sempre inocentando as grandes corporações.

O denominado Colapso das Colônias de Abelhas tem consequência de imensa magnitude no cenário de destruição cometido pelo imperialismo contra os povos. Sem abelhas não há polinização, não se formam os frutos e suas sementes. A descendência é bloqueada, acabam as plantas, os animais desaparecem.

Como o homem poderá sobreviver? De acordo com os cientistas, sem as abelhas, em cinco anos o homem desapareceria do planeta.

Quais seriam as causas da trapalhada?

O argumento imperialista diz que um ácaro Varroa, oriundo da Ásia e que parasita a abelha, é o responsável pelo seu desaparecimento. Esta hipótese exige, porém enorme quantidade de ácaros. Outros falam de uma evidência da diminuição da imunidade das abelhas, havendo até quem se atreva a chamar a doença de “AIDS das abelhas”. Assim é a imprensa do imperialismo. Tantas mentiras e especulações para ocultar as causas de sempre...

Há razões mais concretas, como o uso desmedido de herbicidas. Estimulados pelas corporações transnacionais, agricultores borrifam até flores silvestres.

Outra causa: as monoculturas impostas pelos projetos transnacionais (que têm origem principalmente nos negócios do capital monopolista e improdutivo) também são apontadas como causadoras do sumiço das abelhas, consumindo a biodiversidade e limitando terrivelmente os períodos de floração com pólen disponível.

O estudo de algumas abelhas mortas revelou a presença de mais de uma infecção bacteriana, além da presença de fungos.

Pesquisas realizadas no USA e em uma Universidade alemã apontam para alterações nos organismo das abelhas como a causa da doença, admitindo a hipótese de que há relação dos transgênicos com este surpreendente e extraordinário problema. Tudo acontece em áreas de monocultura em que não existem matas nativas e com plantações extensas de transgênicos.

As mais fortes evidências para o colapso das colméias com desaparecimento das abelhas indicam como causa os transgênicos em especial os do milho Bt.

Quase todas as pesquisas atuais estão direcionadas para o interesse do capital monopolista, especulativo e rentista das transnacionais financeiras. Não há preocupação com o ser humano, suas condições de vida e o ambiente natural.

O professor Nagib Nassar, cientista titular de genética da Universidade de Brasília manifesta, no “Jornal da Ciência”, preocupação com a liberação do milho transgênico pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança — CNTBio. Seu colega Aluízio Borém, do departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Viçosa —UFV, membro da CTNBio, informa que havendo aprovação pelo Conselho Nacional de Biotecnologia, um monitoramento do cultivo se tornará obrigatório.

Quer dizer, liberado o direito de matar, todavia com monitoramento.

Claro que sim. Vamos aos fatos:

As abelhas estão sumindo. Sem elas não há polinização.

Todas as plantas que têm a sua reprodução por polinização por insetos serão afetadas.

É inadmissível que ante a mais leve dúvida de que o transgênico pode acabar com a própria sobrevivência da humanidade (mais uma vez teremos de esperar para constatar o óbvio, entre tantos crimes contra a natureza e contra os povos?) se permita a sua disseminação em larga escala.

Uma curiosa observação se apresenta agora: já existem árvores geneticamente modificadas, e o eucalipto, entre elas, é a que maior interesse desperta.

Se a doença das abelhas pode ser provocada pelo pólen dos transgênicos, o eucalipto — que é um deserto verde alterando lençóis freáticos e todo o ambiente natural e sua monocultura oferece um só emprego em cada 180 hectares (!) —, além de todas as graves conseqüências por não produzir alimentos e oferecer pouquíssimos empregos, que benefício traz para a humanidade, além de cadáveres?

Quem possibilita ou facilita uso dos transgênicos, ainda insuficientemente estudado, deveria ser processado por crime de lesa-humanidade — se tal crime não existisse, deveria ser estabelecido.


Rui Nogueira é médico-pesquisador e escritor.
Portal: www.nacaodosol.org
Endereço eletrônico:
rui.sol@ambr.com.br


Colméias às Moscas



O preço do mel vai aumentar muito nos próximos anos”, avisa a vendedora Raquel ao oferecer o produto numa feira livre em Campinas, no interior de São Paulo. O assunto em torno de sua barraca era o programa de televisão que dias antes alertava para o desaparecimento em diferentes regiões do mundo das abelhas da espécie Apis mellifera, responsáveis pela produção comercial de mel. Detectado inicialmente na Europa em 2006, o problema já se alastrou pelos Estados Unidos – onde atinge 30 dos 50 estados, o suficiente para ser considerado uma epidemia – e começa a ser observado, embora em menor escala, nas regiões produtoras de mel no Brasil.

“A morte em massa de abelhas não é novidade e acontece periodicamente”, conta Constantino Zara Filho, presidente da Associação Paulista de Apicultores Criadores de Abelhas Melíficas Européias (Apacame). Mas a mortandade observada nos últimos meses nos Estados Unidos e na Europa chama a atenção pelo número de colméias dizimadas: alguns criadores tiveram mais de 80% das colméias completamente esvaziadas por causa da morte súbita das abelhas.

No Brasil, David de Jong, especialista em patologia de abelhas do Departamento de Genética da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto (FMRP-USP), investiga os indícios desse distúrbio do colapso das colônias (CCD, na sigla em inglês) e constata que houve um agravamento nas doenças das abelhas no país, com alguns dos sintomas de CCD. Mas até o momento o impacto foi menor porque, diz ele, “temos uma abelha mais rústica e resistente”.

Algumas características dessa síndrome deixam os especialistas intrigados. Uma delas é que as abelhas simplesmente somem sem deixar sinais – não são encontradas mortas na entrada da colméia como acontece em outras doenças. Outra característica é que num primeiro momento a síndrome elimina somente abelhas especializadas em buscar pólen e néctar. “Inicialmente encontramos a rainha, pouquíssimas abelhas adultas e bastante cria (larvas e pupas), mas, sem as adultas para coletar alimento e cuidar da cria, a colônia rapidamente definha e morre”, explica De Jong.

Insetos preciosos - A morte súbita de colméias inteiras não é um problema só para quem gosta de própolis e mel. Abelhas são essenciais para a polinização de vários tipos de planta. Por isso uma queda populacional muito acentuada pode gerar graves conseqüências ecológicas e econômicas. Nos Estados Unidos, o valor dos cultivos que dependem de polinização pelas abelhas é estimado em mais de US$ 14 bilhões – só as plantações de amêndoa da Califórnia mobilizam 1,4 milhão de colméias, alugadas pelos agricultores durante a floração. Segundo De Jong, há poucos anos o aluguel de cada colméia por um mês custava cerca de US$ 40. Agora esse preço varia entre US$ 150 e US$ 200. “E faltam colméias”, garante. Por isso os apicultores americanos têm importado milhares de abelhas australianas por ano.

São vários os suspeitos pela mortandade das abelhas. Já se acusaram – sem o apoio de dados científicos – a radiação de telefones celulares e o pólen dos cultivos transgênicos. Mais recentemente um esforço conjunto de pesquisadores tem levado a causas mais palpáveis, tanto nos Estados Unidos como no Brasil. Uma delas chegou recentemente às Américas – o protozoário Nosema ceranae, descoberto em abelhas asiáticas, que De Jong afirma já ser comum no Brasil, nos Estados Unidos e em partes da Europa. Uma outra espécie do mesmo protozoário que ataca o sistema digestivo das abelhas – Nosema apis – já é um velho conhecido dos insetos fabricantes de mel. “Esse parasita sempre existiu no Brasil e pode matar”, diz Zara Filho. “Mas não é preciso medicar as abelhas porque as abelhas africanizadas do Brasil têm uma boa resistência à infecção por esse microorganismo.” As abelhas do lado de cá do Atlântico não têm defesas contra o protozoário asiático e por isso, mesmo que não morram, se tornam mais suscetíveis a outras infecções, sobretudo por vírus.

Outro agressor identificado em colméias dizimadas é o ácaro Varroa destructor, que ataca até 10% das abelhas africanizadas brasileiras. Em condições normais a abelha usada na apicultura brasileira – que surgiu pela mistura de uma subespécie européia e uma africana – consegue resistir ao ácaro. De Jong afirma que, embora quase todas as colméias do Brasil estejam infectadas por esses parasitas, o ideal é não medicar as abelhas. A suscetibilidade a doenças tem um forte componente hereditário e, ao introduzir medicamentos, o apicultor favoreceria a sobrevivência das abelhas que sucumbem a esses problemas. “A natureza faz seleção para resistência a doenças melhor do que nós, pois mantém a variabilidade genética, eliminando somente os menos aptos”, lembra. Nesse caso, se o apicultor quiser dar uma mão à natureza, De Jong propõe substituir a rainha das colméias doentes – como ela é a mãe da colônia inteira, uma nova rainha trará à colméia um conjunto genético diferente, que pode contribuir para eliminar os genes responsáveis pela suscetibilidade a doenças.

Os parasitas, no entanto, não parecem ser os únicos responsáveis pela eliminação das abelhas. O consumo de grãos de pólen tóxicos como o barbatimão e infecções virais também têm uma parcela de culpa. De Jong vem investigando todos esses aspectos em colaboração com Dejair Message, da Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais, num projeto que investiga doenças virais de abelhas. Eles têm visto também que por aqui essa síndrome ainda não completamente explicada afeta não só Apis mellifera, mas abelhas sociais nativas, conhecidas como meliponíneas ou abelhas-sem-ferrão.

Os sintomas apresentados pelas abelhas agonizantes, porém, levam De Jong a suspeitar de que novos inseticidas usados na agricultura – o fipronil, vendido no Brasil como Regent, e o imidacloprid, Gaucho – sejam os inimigos mais implacáveis das colméias. Ambos são extremamente tóxicos para abelhas, razão por que a França, aliás, proibiu a comercialização do fipronil.

Síndrome nacional - Uma mortalidade inesperada aconteceu no meliponário Nogueira Neto em São Simão, interior de São Paulo, e foi observada dentro do projeto coordenado por Vera Lúcia Imperatriz Fonseca, da USP, que investiga o papel de abelhas nativas na polinização. De Jong examinou as colméias e abelhas mortas e não achou vestígios de doenças. “Os sintomas das abelhas que vi morrer foram similares aos observados na morte decorrente de inseticida: tentando voar, girando em círculos”, relata. Ele conta que pelo menos quatro espécies de abelhas nativas foram afetadas, além de colméias de abelhas africanizadas numa fazenda próxima. “Não há doença que atinja tantas espécies ao mesmo tempo”, afirma o geneticista da USP. Zara Filho, da Apacame, atribui o aumento do efeito de inseticidas sobre abelhas à expansão das plantações de cana-de-açúcar. “O pesticida é pulverizado de avião e se espalha por uma área ampla.”

No Brasil as reclamações ainda são esparsas, mas vêm se tornando mais freqüentes. A Apacame registrou mortandades em vários pontos do interior de São Paulo, distantes uns dos outros. De acordo com De Jong, os relatos de esvaziamento das colméias semelhantes ao colapso das colônias até agora se restringem às áreas onde a apicultura é intensiva: de Minas Gerais até o Rio Grande do Sul. “Estive recentemente no Nordeste e lá não parece haver problemas”, conta o pesquisador.

Até o momento, o colapso das colméias é um quebra-cabeça cujas peças não se encaixam completamente. Embora haja semelhanças entre os sintomas observados no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa, os especialistas ainda não podem afirmar que se trate da mesma síndrome. Para Fábia Mello, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Meio-Norte (Embrapa Meio-Norte), os rumores de sumiço de abelhas no Rio de Janeiro, Minas Gerais e no sul do país podem ser reflexo dos alarmes que vêm de outros países. “É importante que boatos sejam imediatamente desmentidos, pois deixam apicultores alarmados e acabam por prejudicar a comercialização do produto. Agora, caso seja diagnosticado o colapso das colméias no Brasil, é necessário que a notícia seja divulgada oficialmente aos apicultores e pesquisadores”, diz Fábia. “Estamos acompanhando de perto a situação nos Estados Unidos. Também interessa a eles acompanhar o que se passa aqui para compreender o que acontece por lá”, diz De Jong, que há pouco participou de reuniões de especialistas nos Estados Unidos – e mesmo assim continua longe de uma conclusão final.
Fonte: Revista Pesquisa Fapesp – no. 137

A morte das abelhas põe em perigo todo o planeta

Tradução de um texto de Paul Molga, com o título original «La mort des abeilles met la plànete en danger», publicado a 7 de Agosto no jornal económico francês Les echos. Ver o original:

http://www.lesechos.fr/info/energie...


Nota prévia:
Como é suposto que «Les echos», jornal económico e financeiro francês, algo equivalente ao Financial Times inglês, não pode ser acusado de ecologismo ou radicalismo, julgamos útil traduzir para português um artigo que acabou de ser publicado naquela tribuna de imprensa consultada diariamente pelos liberais e capitalistas franceses, constituindo ao mesmo tempo uma pequena contribuição para a desacreditação dos pseudo-ambientalistas (sejam os aprendizes de feiticeiro, sejam os afectados de senilidade mental) e os pseudo-cientistas que, sem escrúpulos, se colocam ao serviço das grandes empresas de biotecnologia e de um modelo de desenvolvimento suicida, em prejuízo de toda a Humanidade e da preservação da vida no planeta.

Que sirva também de pequena homenagem àqueles jovens, e menos jovens, que, com coragem e determinação, lutam pela defesa da natureza e da justiça ambiental no nosso mundo.




A morte das abelhas põe em perigo todo o planeta

As abelhas estão a desaparecer aos milhões em poucos meses. O seu desaparecimento pode ser um sinal de alarme para a sobrevivência da espécie humana

Trata-se de um epidemia inimaginável, de uma violência e amplitude jamais vista, aquela que está a desenrolar-se de colmeia em colmeia pelo planeta fora. Com origem na Florida ela propagou-se à maior parte dos Estados Unidos, depois ao Canada e à Europa, atingindo já em Abril passado Taiwan. Por todo o lado repete-se o mesmo cenário: milhões de abelhas abandonam de um momento para outro os cortiços das colmeias para nunca mais regressarem. Nenhum cadáver nas proximidades, nenhum predador ou potencial pretendente a ocupar o seu espaço foram encontrados e que podiam explicar o seu súbito procedimento.
Em poucos meses entre 60% a 90% das abelhas volatirizaram-se nos Estados Unidos, onde as últimas estimativas calculam que 1,5 milhões de colmeias num total de 2,4 de colónias de abelhas tenham desaparecido em 27 Estados. No Quebeque 40% das colmeias estão vazias.
Na Alemanha segundo a associação nacional dos apicultores um quarto das colónias foi dizimado com perdas que rondam os 80% em certas explorações. O mesmo se passa na Suíça, Itália, Portugal, Grécia, Áustria , Polónia e na Grã-Bretanha, país onde o síndroma foi baptizado com a designação de «fenómeno Maria Celeste», nome de um navio cuja tripulação se volatizou em 1872. Em França onde os aplicultores têm sofrido prejuízos elevados desde 1995 ( 300.000 a 400.000 abelhas por ano) e que levou à interdição do pesticida apontado como responsável nos campos de milho e de tornesol,a epidemia ganhou força com perdas entre 15% a 95%

«Síndroma de derrocada» (« Syndrome d’effondrement »)


Legitimamente inquietos os cientistas encontraram um nome à medida para estas deserções massivas: o «sindroma da derrocada» ou «colony collapse disorder». Não lhe faltam realmenete motivos de preocupação: é que 80% das espécies vegetais têm necessidade das abelhas para se fecundarem. Sem elas,não há polinização nem praticamente frutos e legumes. «Três quartos das culturas que alimentam a humanidade dependem delas», confessa Bernard Vaissière, especialista de polinização no INRA francês (Instituto Nacional de Pesquina Agronómica). Chegadas à Terra cerca de 60 mlhões de anos antes do homem, a Apis mellifera ( abelha de mel) é indispensável não só à sua economia como à sua sobrevivência. Nos Estados Unidos as 90 plantas alimentares que são polinizadas pelas abelhas significam colheitas avaliadas no valor de 14 mil milhões de dólares.
Serão os pesticidas os responsáveis? Um micróbio novo? As emissões electromagnéticas que perturbariam as nanopartículas de magntite existentes no abdómen das abelhas? «Ou será por causa da combinação de todos esses agentes» como diz o professor Joe Cummins da Universidade de Ontário. Num comunicado publicado este Verão pelo instituto Isis (Institute of Science in Society), uma ONG sedeada em Londres, e conhecida pelas suas posições críticas sobre a corrida desenfreada do progresso científico, afirma-se que «indíces sugerem que cogumelos parasitas utilizados na luta biológica e certos pesticidas do grupo das néonicotinóides, interagem entres si e em sinergia para provocae a destruição das abelhas». Para evitar a estrumação incontrolada as novas gerações de insecticidas envolvem as sementes para penetrarem de forma mais sistemática em toda a planta, transmitindo-se ao pólen que as abelhas levam às colmeias que acabam por ficarem envenenadas. Mesmo em concentrações fracas, diz aquele professor, o emprego deste tipo de pesticidas destrói as defensas imunitárias das abelhas. Por efeito de cascada, intoxicadas pelo principal principio activo utilisado – a «imidaclopride» ( admitida na Europa, mas fortemente contestada no outro lado do Atlântico, aquela substância é distribuída pela Bayer sob diferentes designações Gaucho, Merit, Admire, Confidore, Hachikusan, Premise, Advantage...) -, as abelhas tornam-se vulneráveis à actividades insecticida dos agentes patogéneos fungícedas pulverizados em complemento sobre as culturas.

Abelhas apáticas

Como prova, diz aquele investigador, temos os cogumelos parasitas da família dos Nosemas estarem presentes nos enxames de abelhas, apáticas, encontradas infectadas por meio-dúzia de vírus e micróbios.
Geralmente esses cogumelos são incorporados nos pesticidas químicos para combater os gafanhotos( Nosema Locustae), certas traças (Nosema bombycis) ou a pírale do milh (Nosema pyrausta). Mas eles viajam também ao longo das vias abertas pelas trocas mercantis, à imagem da Nosoma ceranae, um parasita transportado pelas abelhas da àsua que contaminou as suas congénres ocidentais que morreram em poucos dias.
É o que acaba de ser demonstrado por um estudo sobre o ADN de várias abelhas conduzido pela equipa de investigação de Mariano Higes em Guadalajara, província a leste de Madrid, conhecida por ser o centro espanhol da indústria de mel. «Esse parasita é o mais perigoso da família, explica. Pode resisitir tanto ao calor como ao frio e infecta um enxame ao fim de doius meses. Pensamos que 50% das nossas colmeias estão contaminadas». Ora a Espanha que conta com 2,3 milhões de colmeias representa um quarto das abelhas domésticas da União Europeia.
O efeito de cascada não pára aí. Ele continua igualmente entre os cogumelos parasitas e os biopesticidas produzidos pelas plantas geneticamente modificadas, assegura o professor Joe Cummins. Ele acaba de demonstrar que as larvas da pirale infectadas pela Nosema Pyrausta apresentam uma sensibilidade quarenta cinco vezes mais elevada que as toxinas das larvas saudáveis.
«As autoridades encarregadas pela regulamentação trataram do declínio das abelhas com uma visão estreita e limitada,ignorando as provas segundo as quais os pesticidas agem em sinergia com outros elementos devastadores», acusa de forma conclusiva. E não é só ele a tocar o sinal de alarme. Sem a interdição maciça dos pesticidas sistémicos, o planeta arrisca-se a assistir a um outro síndroma de derrocada, receiam os cientistas, o síndroma da derriçada da espécie humana.


Há 50 anos Einstein tinha insistido na relação de dependência entre as abelhas e o homem ao dizer: « No dia em que as abelhas desaparecerem do globo, o homem não terá mais que quatro anos de vida»


Tradução de um artigo publicado no jornal económico Les echos
http://www.lesechos.fr/info/energie...

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

A radiação emitida por telemóveis pode provocar o desaparecimento inesperado de abelhas

A radiação emitida por telemóveis e outros dispositivos electrónicos pode provocar o desaparecimento inesperado de abelhas. Um fenómeno que pode ter graves implicações nas culturas que dependem da polinização feita por estes animais.



Publicado em: 20-04-2007 09:51
Fonte: The Independent

Adianta o jornal britânico The Independent que as radiações interferem no sistema de orientação das abelhas impedindo-as de regressar às colmeias e acabando por morrer. Desta forma, a colónia fica reduzida à rainha, ovos e abelhas pequenas incapazes de fazerem o trabalho.



No pior dos cenários, a colmeia abandonada afasta parasitas, outras abelhas e insectos que contribuiriam para a sua manutenção, acabando por resultar na sua extinção. Trata-se de um fenómeno grave para a maioria das culturas que dependem da polinização das abelhas.
da France Presse, em Washington

A inquietação cresce entre os apicultores americanos pelo misterioso desaparecimento de milhões de abelhas nos últimos meses, problema que ameaça a produção nacional de mel e as colheitas que dependem do papel-chave destes insetos na polinização.

Entre 30 e 60% das abelhas sumiram na Califórnia (oeste) e mais de 70% em algumas regiões da costa leste e no Texas (sul). A situação é observada em 24 Estados americanos e duas Províncias canadenses, segundo estimativas do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, na sigla em inglês).

O despovoamento de uma colméia em até 20% durante o inverno é considerado normal, mas os apicultores demonstram preocupação uma vez que as colônias de abelhas domésticas estão em constante diminuição desde 1980 nos Estados Unidos.

Segundo a Usda, atualmente há 2,4 milhões de colméias no país, 25% a menos que em 1980, ao mesmo tempo que o número de apicultores profissionais caiu à metade desde a mesma data.

Sem precedentes

A magnitude deste desaparecimento em massa de abelhas, considerado sem precedentes, levou a associação apícola americana a exigir a ajuda do Congresso em uma audiência recente em Washington.

"Quase 40% das abelhas de minhas 2.000 colônias morreram. Esta é a maior taxa de mortalidade que vi em meus 30 anos de carreira como apicultor", afirmou na semana passada a uma subcomissão agrícola da Câmara de Representantes do Congresso Gene Brandi, presidente da associação de apicultores da Califórnia.

As abelhas domésticas são essenciais para a polinização de mais de 90 tipos de frutas e legumes, cujas colheitas estão avaliadas em 15 bilhões de dólares por ano, 6 bilhões apenas na Califórnia.

O cultivo de amêndoas neste Estado gera 2 bilhões de dólares em lucros e depende de 1,4 milhão de abelhas, segundo Brandi.

Colapso das colônias

Diana Cox-Foster, professora de entomologia da Universidade da Pensilvânia, explicou na mesma subcomissão que este novo problema de despovoamento em massa das colméias, batizada de "desordem de colapso de colônias", apresenta sintomas únicos, diferentes dos observados quando acontecem as freqüentes infecções do parasita Varroa jacobsoni, que destrói as larvas.

No caso desta desordem, as colônias de abelhas domésticas sãs diminuem repentinamente, deixando poucas ou nenhuma abelha sobrevivente.

As rainhas --uma em cada colméia e que garantem a reprodução-- são encontradas com algumas abelhas adultas na presença de uma importante reserva de comida, mas durante esta crise não foram encontradas abelhas mortas no interior das colônias ou suas proximidades.

O fato de outras abelhas ou parasitas demoraram tanto tempo a instalar-se nas colméias que ficam desertas pela desordem aumenta as especulações da presença de um produto químico ou uma toxina, segundo Diana Cox-Foster.

Todas as abelhas encontradas nas colônias devastadas por este misterioso mal estavam infectadas com uma multidão de microorganismos, vários deles responsáveis por doenças vinculadas ao estresse destes insetos.

Os cientistas mencionam a hipótese de existência de um novo patógeno ou um produto químico que afeta o sistema imunológico das abelhas.

Na França se registrou um caso de despovoamento nos anos 90, atribuído a um inseticida posteriormente proibido no país.

A BUSCA DA CIÊNCIA PELAS CAUSAS DO DESAPARECIMENTO DAS ABELHAS

Publicado em 3 de Maio de 2007 às 14h17 em BiotecnologiA
O que está acontecendo com as abelhas? Mais de um quarto das 2,4 milhões de colônias de abelhas nos Estados Unidos desapareceram – dez bilhões, de acordo com uma estimativa da American Apiary Inspectors, um grupo americano que fiscaliza criadores de abelhas.
Ninguém conseguiu explicar ainda o que faz com que as abelhas se desorientem e não consigam retornar às colméias. Entretanto, como em todo grande mistério, inúmeras teorias já foram postuladas, e muitas parecem saídas de um filme de ficção científca, ou de uma comédia. Os cultivares de milho GM já foram responsabilizados. Mas também as torres de telefone celular, as linhas de transmissão de energia e até Osama Bin Laden com um suposto plano para derrubar a agricultura americana (!).
Diana Cox-Foster, uma entomóloga da Universidade do Estado da Pensilvânia, juntamente com Jeffrey S. Pettis, entomólogo do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, conduzem uma equipe de pesquisadores que tentam obter respostas para explicar o “distúrbio do colapso da colônia” nome dado à síndrome de desaparecendo das abelhas. A drª. Cox-Foster, diversos cientistas e forças do governo americano discutem as suspeitas oficias mais prováveis: um vírus, um fungo ou um pesticida. O Brasil, alguns países da Europa e a Guatemala também se esforçam para obter as respostas.
Até agora, apenas uma coisa é certa, a possibilidade de que cultivares de milho GM contendo Bt pudessem ser os responsáveis pela mortalidade em massa – uma vez que aparecem sintomas de envenenamento de sangue – são ínfimas.
Testes genéticos da Universidade da Colômbia revelaram a presença de múltiplos microorganismos nas colméias ou colônias de abelhas em declínio, sugerindo que algo está enfraquecendo seu sistema imune. Ainda, foram encontrados alguns fungos nas abelhas afetadas presentes somente em humanos cujo sistema imune foi suprimido por AIDS ou câncer – o que segundo a drª. Cox-Foster é muito incomum.
Amostras também foram enviadas a um laboratório do Departamento de Agricultura da Carolina Norte para checar a presença de 117 produtos químicos – com ênfase aos pesticidas “sistêmicos” que podem passar através do sistema circulatório de uma planta e se mover para as folhas novas ou flores, onde teriam contato com abelhas.
De acordo com Bee Alert Technology Inc., uma companhia que monitora o problema, o distúrbio do colapso da colônia foi encontrado em 27 estados americanos. Um exame recente realizado em 13 estados por inspetores apiários revelou 26 % dos criadores de abelhas já perderam metade de suas colônias entre setembro e março.
As abelhas domésticas são os insetos mais importantes para a produção de alimentos. Elas são os principais polinizadoras das frutas, vegetais e nozes. O número de colônias da abelha tem declinado desde a década de 40. Recentemente, as colônias de abelhas estiveram sob o estresse enquanto mais apicultores cruzaram o país com os caminhões imensos cheios de abelhas em busca de trabalho de polinização.

Desaparecimento de abelhas é prenúncio de catástrofe climática

Agências internacionais informam sobre o misterioso desaparecimento de milhões de abelhas nos Estados Unidos, que tem deixado os apicultores do país muito preocupados. O problema já chegou ao Congresso americano, que debaterá nesta quinta-feira a situação do inseto, tido como essencial para o setor agrícola.

Até mesmo os leigos percebem o aspecto mais grave desse fenômeno: em muitos casos, não são encontrados “restos mortais” das abelhas. “Historicamente, quando algo afeta os enxames, há muitos insetos mortos”, afirmou May Berenbaum, professora de entomologia da Universidade de Illinois. Outro mistério é que as abelhas operárias fogem deixando para trás a rainha, um comportamento totalmente atípico na espécie.

A WMBI tem estudado a recorrência de fenômenos de migrações atípicas entre espécies de animais altamente adaptadas ao seu meio, causados pelas alterações climáticas e magnéticas pelas quais o planeta está passando, na sua preparação para o cataclisma previsto para 2012. Em 2004 ocorreu o primeiro prenúncio, quando dezenas de milhares de borboletas Monarca se precipitaram sobre um lago em Michigan, ao mesmo tempo em que a floresta canadense para a qual normalmente estariam migrando na mesma época era consumida por um incêndio de grandes proporções.

Em 2005 e 2006 foram registrados incontáveis fenômenos, dos quais o mais extremo e ilustrativo foi o súbito aparecimento em Anchorage, no Alasca, de milhares de sapos cujo habitat são as florestas temperadas da região central dos Estados Unidos. Os batráquios continuaram surgindo misteriosamente ao longo de quase 48 horas, morrendo congelados poucas horas após saírem de uma caverna ainda não explorada.

Os primeiros sinais do problema atual com as abelhas surgiram pouco depois do Natal, na Flórida, quando os apicultores perceberam que muitas abelhas haviam desaparecido. Desde então, a síndrome que os especialistas batizaram como Problema do Colapso das Colônias (CCD) reduziu em 25% os enxames do país.

“Perdemos mais de meio milhão de colônias, com uma população de cerca de 50 mil abelhas”, disse Daniel Weaver, presidente da Federação de Apicultores dos Estados Unidos. Segundo ele, o problema atinge 30 dos 50 estados americanos.

Os sinais são cada vez mais claros.